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Obesidade pode ser fator de risco para desenvolvimento de câncer
      27 MAR 2017
Obesidade pode ser fator de risco para desenvolvimento de câncer


Nos últimos anos, um novo fator de risco para o câncer tem sido identificado em diversos estudos. A obesidade e o sobrepeso, já considerados uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), podem favorecer o surgimento de importantes tumores, como na mama, estômago, cólon, pâncreas e endométrio. Contudo, ainda havia dúvidas sobre a força do papel desempenhado pela gordura no desenvolvimento da doença. Agora, uma equipe internacional de pesquisadores argumenta que há evidências suficientes para fazer essa associação.

Enquanto o câncer é a principal causa de morte em todo o mundo, a prevalência da obesidade mais do que dobrou nos últimos 40 anos. “Estudos anteriores estabelecem relação entre o excesso de peso e alguns tipos de cânceres, mas metodologias fracas e até mesmo má conduta fizeram com que muitos resultados apresentassem falhas ou análises tendenciosas”, observa o epidemiologista oncológico Kostas Tsilidis, do Imperial College London. Por causa disso, ele e Maria Kyrgiou, pesquisadora da mesma instituição, resolveram fazer uma revisão de trabalhos publicados sobre o tema. Eles concluíram, em um artigo publicado no British Medical Journal, que a gordura desempenha um papel significativo, especialmente em cânceres do aparelho digestivo e associados a hormônios.

Os pesquisadores identificaram 204 estudos publicados em 49 jornais médicos que avaliaram a relação de 36 tipos de câncer com parâmetros usados para medir a obesidade, como índice de massa corporal (IMC), ganho de peso e circunferência abdominal. “Nós descobrimos uma forte associação entre o IMC e o risco de cânceres esofágico, de medula óssea, cólon (em homens), reto (também em homem), do trato biliar, pancreático, renal e endometrial (em mulheres pós-menopausa)”, revela Tsilidis. A cada 5kg a mais no IMC, o risco de desenvolvimento de câncer aumentou de 9% (caso dos tumores colorretais em homens) a 56% (cânceres do trato biliar).

Em mulheres pós-menopausa que nunca fizeram terapia de reposição hormonal, o ganho de 5kg aumentou em 11% a incidência de câncer de mama. Nesse mesmo público, a cada 0,1 de aumento na relação circunferência/quadril, o risco de câncer endometrial fica 21% maior. O ganho de peso e o IMC também tiveram associação direta com tumores gástricos, de bexiga, ovário e mieloma múltiplo. “Essa análise foi feita sobre estudos que usaram dados observacionais, o que é muito útil para dar um quadro das evidências”, diz o epidemiologista. Contudo, ele ressalta que nenhuma das pesquisas analisadas fez uma avaliação de causa e efeito; portanto, não é possível, nesse trabalho, identificar por que a gordura aumenta o risco de alguns tipos de câncer.

Danos no DNA

Isso não significa que os especialistas desconhecem os motivos por trás dessa associação. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos destaca que já foram sugeridos diversos mecanismos. Pessoas obesas geralmente têm inflamações crônicas no nível celular, e essa condição pode, ao longo do tempo, provocar danos no DNA, que levam ao câncer. O tecido adiposo também produz o hormônio estrógeno em excesso, e níveis muito altos da substância estão relacionados ao risco aumentado de tumores de mama, endométrio e ovário, entre outros. A obesidade eleva ainda os níveis de insulina no sangue, o que pode favorecer cânceres de cólon, rins, próstata e endométrio. Além disso, células de gordura produzem adipocinas, conjunto de hormônios que estimulam ou inibem o crescimento celular. Elas também têm efeitos diretos e indiretos na regulação da proliferação das células.

Em um editorial sobre a pesquisa publicado no British Medical Journal, Yikyung Park e Graham Colditz, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, explicaram que, “embora algumas especificidades precisem ser mais esclarecidas, as conclusões inquestionáveis desses dados são que prevenir o excesso de ganho de peso pode reduzir o risco de câncer”. “Dado o papel crítico dos profissionais de saúde no monitoramento e na prevenção da obesidade, clínicos, particularmente da saúde primária, podem ser uma força poderosa para reduzir o impacto da obesidade no câncer, assim como nas outras enfermidades crônicas associadas, como diabetes, doenças coronarianas e derrame”, escreveram.

Epidemia

A projeção da OMS é que, em 2025, 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. No Brasil, alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, seja com sobrepeso ou obesidade. Entre crianças, esse índice estaria em torno de 15%.


Fonte: Correio Braziliense 

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